Mesmo depois de três temporadas, Tá no Ar ainda parece uma "novidade" TV. Ousada, a série não tem medo de explorar qualquer assunto, fazendo inteligentes e bem escritos esquetes que abordam desde problemas governamentais e políticos até as mais populares séries de TV. O formato de zapping ainda funciona adicionando diversidade aos esquetes, além de dar aos espectadores pequenas prévias do que será visto nas semanas a seguir.

Apesar de já estar estabelecida, Tá no Ar ainda surpreende ao abordar temas recentes e polêmicos de maneira descontraída, levando esses problemas à uma emissora que não necessariamente estaria confortável em expor tal situação. Um bom exemplo é o Machinho Alfa, brincadeira que o programa fez com os comerciais de Luftal sobre a recente conscientização feminista, apontando o dedo para homens que pensam não estar fazendo mal ao dizer atrocidades à mulheres.

Por mais que Tá no Ar seja atual, os roteiristas escolhem seguir na direção oposta à da Globo e apostar em temas que fogem do mainstream tradicional brasileiro. Ao fazer um esquete sobre as mortes de Game of Thrones e outro que brinca com religião e Friends simultaneamente, a expectativa é trazer um novo público à emissora, diversificar e quebrar os padrões pré-estabelecidos do canal.

O primeiro episódio do quarto ano já mostra também como as celebridades já estão aderindo ao programa, aceitando cada vez mais fazerem piada consigo mesmas. Na estreia vemos Sandyfalando uma sequência de palavrões e Otaviano Costa aceitando ser chamado de insuportável, sempre com bom-humor.

Não há mais dúvida de que Tá no Ar veio para ficar, revolucionando e atualizando o humor da Globo. O canal, que investe cada vez mais em conteúdo que funciona online em vez de focar totalmente na audiência da TV, precisa mesmo se reinventar se quiser continuar seu reinado - já que a forma como assistimos à programas televisivos muda a cada dia. A carta branca de Marcelo Adnet serviu para alguma coisa.